segunda-feira, 30 de novembro de 2009

III CONFERÊNCIA DE CULTURA

Conforme divulgado aqui, realizamos em nossa cidade a I Conferência de Cultura, que a prefeitura local denominou de I, ignorando uma que houve na gestão anterior. Houve boa participação de pessoas interessadas no desenvolvimento da cultura em nosso munícipio. Delegados foram eleitos para representar o munícipio na III Conferência Estadual que aconteceria no final do mês de Novembro, como de fato aconteceu. Mas infelizmente o poder público municipal não enviou os delegados eleitos para representar o nosso município e defender nossas propostas, o que lamentamos profundamente; isso demonstra o descaso com a cultura em nossa cidade. Gostaria de saber o que se passa na cabeça de governantes que não sabem ou não se importam com a cultura de um povo. Fica aqui o nosso repúdio ao descaso do poder público municipal.

domingo, 29 de novembro de 2009

RUBEM ALVES

Transcrevo abaixo, para nosso deleite, texto do professor e escritor Rubem Alves: A arte de ouvir. Penso que as coisas boas devem ser compartilhadas, é com esse objetivo que convido você para refletir sobre o escrito do professor Alves. Boa leitura!

"De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era o silêncio.” É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: “Cessa o teu canto! Cessa, que, enquanto o ouvi, ouvia uma outra voz como que vindo nos interstícios do brando encanto com que o teu canto vinha até nós. Ouvi-te e ouvia-a no mesmo tempo e diferentes, juntas a cantar. E a melodia que não havia se agora a lembro, faz-me chorar...” A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.
Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por não haver o que dizer tratamos logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio, é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.
Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é “Aconteceu em Tóquio”. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no Vazio da jarra que se colocam flores.
O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita...” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, Da. Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais.
Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete. “Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu...’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu...’Essa frase ‘é exatamente como eu...’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...”
Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno ( pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutatória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.
Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana “Cem Mondialità” a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.
Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro. Amamos não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar..."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

PROJETO NO CEP

Os alunos da 2ª série do ensino médio do Centro Educacional de Planalto, realizou nessa quinta-feira o projeto que teve como tema: E sua cidade como vai? abordando os problemas corriqueiros de uma cidade pequena, que pouco difere das grandes cidades. O empenho dos alunos na realização do projeto foi de suma importância para uma reflexão acerca dos problemas que a cidade de Planalto enfrenta. Um dos assuntos abordados pelos alunos foi a questão ambiental, que se discute muito, mas pouco se faz para minimizar os danos que nós causamos ao meio ambiente. Foi sem dúvida um momento oportuno para repensarmos a nossa postura ante a degradação do meio ambiente. Veja um vídeo que nos faz refletir sobre nossa atuação enquanto moradores do planeta Terra.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O FILME DO ANO

"Ele já é um mito". Essa fala é cada vez mais pronunciada nos quatro cantos do Brasil. Estou falando do atual presidente do Brasil, Lula, que tem surpreendido não apenas nós brasileiros, mas o mundo com suas ações. Por ter se tornado um ícone do Brasil, a vida do nosso presidente acaba de virar filme e já teve o seu pré-lançamento. Muitos são os comentários acerca do filme. Mas uma coisa todos já sabem, vai bater recordes de bilheteria. Vamos aguardar? Por enquanto podemos ver o trailer do filme: LULA, O FILHO DO BRASIL.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


O dia da consciência negra requer de todos nós uma pronfunda reflexão, pois entendo que o dia de hoje tem grande significado para todos os brasileiros, no entanto, é motivo para várias declarações carregadas de racismo. Isso devido a pequena visibilidade que a mídia dar ao dia 20 de Novembro, não fazendo uma leitura verdadeira do momento histórico, pelo contrário suscitando nos incautos mais dúvidas. Muita gente impregnada de racismo estufa o peito para dizer que esse dia é desnecessário, porquanto o negro é igual a todo os outros, será? Sabemos que o negro é igual em sua constituição biológica, no entanto, não é igual aos brancos por diversos aspectos, podemos citar como exemplo a sua pouca escolaridade, poder aquisitivo, participação no mercado de trabalho de maior destaque; em detrimento do 'branco' etc,. O que quero considerar aqui é que o dia de hoje é muito importante, mas ainda é insuficiente para podermos fazer grandes comemorações. Abaixo um vídeo para refletirmos um pouco.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O NOVEMBRO NEGRO NA BAHIA


O deputado federal Luiz Alberto do PT da Bahia tem sido um dos representantes mais atuantes das causas envolvendo os quilombos, por isso, tem se destacado pela defesa no congresso nacional por aqueles que são e sempre foram marginalizados na história do nosso país. Segue abaixo matéria do sítio do deputado que fala sobre a programação que antecede ao 20 de Novembro. Logo após o texto assista um vídeo que tem grande significado para todos nós brasileiros. O navio negreiro de Castro Alves continua vivo entre nós.



Este ano, a ação ganha caráter internacional, com a inclusão do Seminário Experiências Iberoamericanas de Promoção da Igualdade Étnico-Racial, que acontece de domingo (15) até terça-feira, no Hotel Vila Galé, em Ondina. A celebração do 20 de Novembro em ato público na Praça Castro Alves, com a presença do presidente Lula, confere o caráter nacional do projeto. No Estado, a população é envolvida através de várias ações promovidas pelos movimentos negros, por órgãos do governo estadual e das prefeituras de todos os territórios de identidade.
São diversas as exposições, mostras de filmes, conferências, oficinas, marchas, seminários, realizadas em Salvador e em municípios como Alagoinhas, Lauro de Freitas, Camaçari, Conceição da Feira, Irecê, Porto Seguro, Seabra, Souto Soares, Ituberá, Itacaré e Juazeiro, sempre com abordagens étnico-raciais. Ao público em geral, a chamada à reflexão sobre o contexto do racismo no Brasil chega através de uma forte campanha publicitária, lançada pela Sepromi em veículos de comunicação como outdoor, tv, rádio, jornal, revistas, ônibus e mobiliários urbanos.

"A nossa idéia é consolidar um ambiente favorável para a implementação de políticas de promoção da igualdade racial no estado da Bahia", afirma a secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, que destaca o Decreto Estadual de Políticas para as Comunidades Remanescentes de Quilombos entre as ações de governo a serem lançadas no bojo do Novembro Negro. O documento, que define as diretrizes das políticas públicas baianas para quilombos, será assinado pelo governador Jaques Wagner em ato com participação do presidente Luís Inácio Lula da Silva, nos 20 de Novembro, na Castro Alves.
A praça mais popular de Salvador será palco de outros atos como a assinatura do Estatuto Nacional de Promoção da Igualdade Racial, pelo presidente Lula, e o anúncio do governador de comunidades que serão beneficiadas com a regularização de suas terras. Desta forma, a Castro Alves será o espaço da celebração nacional do 20 de Novembro, concentrando todas as manifestações tradicionais da data, a exemplo das caminhadas que saem do Campo Grande e da Liberdade.

domingo, 15 de novembro de 2009

120 ANOS DE REPÚBLICA

O dia de hoje passa por despercebido pelo povo brasileiro. O aniversário da proclamação da república parece não ter nenhuma importância para a maioria da população brasileira. Esta falta de interesse tem sua origem a exatos 120 anos, pois o povo brasileiro assistiu bestializado como bem disse um dos participantes do movimento, Rui Barbosa. O novo regime político brasileiro pouco mudou a vida do povo e não podia ser diferente, tendo em vista a forma como aconteceu a mudança da monarquia para a república. Houve uma mudança de regime, no entanto, a estrutura política e econômica permaneceu a mesma. As pessoas envolvidas no processo pertenciam a elite brasileira, ou seja, a coisa aconteceu de cima para baixo, como ainda é muito comum em nosso país. Não houve um enfrentamento por parte do povo para derrubar um regime que privilegiava aos ricos. Lima Barreto fora feliz ao dizer que "O Brasil não tem povo, tem público". Que o dia de hoje possa servir para repensar a nossa postura como cidadãos ante a situação política-social que estamos inseridos. O nosso questionamento é: como você tem se posicionado ante a práticas autoritárias de muitos de nossos representantes? Veja no vídeo a análise do professor Samuel acerca da conjuntura que desencadeu a proclamação da república.