sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A verdade vencerá a mentira

Depois de muito tempo sem postar uma linha que seja, devido as inúmeras ocupações, hoje sentir-me na obrigação de escrever umas poucas linhas. O motivo principal é atender um pedido de minha própria consciência e também o pedido de um dos brasileiros mais queridos da atualidade e de todos o tempos - LULA. Pensar o momento que estamos vivendo requer um grande cuidado, não é minha intenção aqui me alongar numa avaliação da postura do candidato Serra, pois, outros o fazem com brilhantismo. Apenas para citar uma das análises cito o professor Emiliano José, em artigo publicado em agência Carta Maior, mas voltado ao meu singelo comentário confesso que me causa medo as declarações feitas pelo candidato da direita. Para quem tem o mínino de conhecimento de governos autoritários e conservadores, não só no Brasil mas em toda a América Latina, é uma tentativa explícita de um retorno a um governo de claro despotismo em nosso país. Ele, Serra, afirma com toda a traquilidade que se deve governar acima dos partidos, isso é grave! O governo deve estar acima de tudo e de todos na concepção do candidato que representa o atraso para o país. Isso não é preocupante? No debate de hoje ficou claro mais uma vez a maneira como iria se comportar, caso eleito, (Deus não deixa) com os movimentos sociais. Todos viram a fala do candidato ao se referi aos sindicatos. Que Deus tenha misericórdia de nosso país.

sábado, 30 de janeiro de 2010

O racismo é uma praga

O ano letivo se aproxima e os operários do saber estão se preparando em todo o Brasil para retomar suas atividades. A educação é um grande desafio para todos nós e são muitos os percalços que enfrentamos ao longo da caminhada, mas o ofício que abraçamos deve priorizar a formação do homem, as habilidades que nossos alunos desenvolvem é resultado natural no processo. Algo, porém, deve ser a nossa preocupação primária: colaborar na formação de nossos alunos e levá-los a refletir sobre as diferenças existentes em nosso país. Formando mulheres e homens que respeitem ao próximo deve ser o nosso maior objetivo. Mas, para que o leitor reflita um pouco mais sobre atitudes inadmissíveis, o convido à leitura do texto a seguir para que cada vez mais, nós que somos educadores e aqueles que transitam noutras áreas, nos unamos numa luta sem tréguas contra o racismo.
"Negra e militante de movimentos sociais, a deputada federal Janete Pietá (PT-SP) foi vítima de discriminação racial por parte de uma funcionária do cerimonial da Presidência da República, na terça-feira 26, em Brasília, durante o lançamento dos programas Bolsa Copa e Bolsa Olímpica, pelo presidente Lula. A deputada foi barrada ao tentar entrar no evento, no auditório do Ministério da Justiça. Ela pegou a fila para retirar o pin que lhe daria acesso ao espaço destinado aos parlamentares e, ao se apresentar, a funcionária a olhou de cima a baixo e exclamou: “A senhora, deputada??? !!!... Eu nunca lhe vi nos eventos presidenciais”. Pietá ainda comentou, calmamente, que a representante do cerimonial não era obrigada a conhecer os 513 deputados do Congresso, mas deveria, ao menos, saber identificar o seu broche de parlamentar utilizado na lapela. Mas não adiantou. Fundadora do PT, a deputada disse ter sentido dor e humilhação. “Como uma mulher afrodescendente, que ousa fazer um penteado afro, de tranças rasteiras, que não chega arrogante, pode ser deputada? Está mentindo, então!”, protesta Pietá. A deputada procurou o responsável pelo cerimonial. “De longe, vi a funcionária me olhando com desprezo”, afirmou. Segundo o cerimonial, a funcionária, não identificada, era contratada por uma empresa terceirizada e seria demitida. Pietá intercedeu: “Não precisa ser demitida. Quero que ela aprenda a respeitar as pessoas e não discriminar ninguém”.
Para ler o artigo da deputada acesse:
Janete Rocha Pietá
Mulher e militante negra, política fundadora do PT e atualmente deputada federal pelo PT-SP
Fonte: Carta Capital

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tô Sabendo

O Brasil vai ficar conhecendo uma figura importante para nós baianos, Jorge Portugal. A TV Brasil colocou em sua programação um programa educativo que faz muito sucesso aqui na Bahia. O programa terá outro nome, no entanto, será mantido praticamente o mesmo formato do que era apresentado aqui na televisão baiana. Foi uma vitória para a educação do Brasil, pois, tínhamos necessidade de um programa como o que vai ao ar amanhã (sábado) às 18: 00 horas. Veja matéria abaixo e conheça um pouco mais sobre o Tô Sabendo.
"Segundo a diretora de Operações da TVE Bahia, Sahada Josephina Mendes, Tô Sabendo é um projeto multiplataforma, que inclui o game cultural na TV, o portal na internet e Twitter. “ E, em breve, podemos utilizar conteúdo para telefones celulares, pois queremos nos aproximar do público jovem”, anunciou. A secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura (MinC) e coordenadora executiva do Programa Mais Cultura, Silvana Meireles, observa que a convergência da rede de emissoras públicas e da internet possibilitará “acesso democrático a conteúdos educativos e culturais”. A ideia do projeto, segundo a Assessoria de Imprensa do Programa Mais Cultura do MinC, começou a ser concretizada no fim de 2008, com a assinatura de um convênio entre o Programa Mais Cultura e o governo da Bahia, por meio do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), com a participação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O valor do convênio é de R$ 7,9 milhões, sendo R$ 6,328 milhões do MinC e R$1,582 milhão do governo baiano.
Jorge Portugal dá dicas de como passar no vestibular
Passar no vestibular é uma tarefa que, muitas vezes, se torna angustiante para milhares de jovens. “A maioria dos alunos de escolas públicas não se sente preparada para fazer o exame”, constata o apresentador Jorge Portugal, Foi pensando assim, que ele decidiu tratar o tema de maneira simples e esclarecedora, através do programa Tô Sabendo, nova atração da TV Brasil, que estreia no sábado (23).
Com muito carisma e animação, o baiano dá dicas sobre temas que têm grandes chances de cair no Enem e no vestibular, além de tirar algumas dúvidas dos alunos sobre profissões e mercado de trabalho. E a cada programa, uma atração musical reforça o clima de descontração.
Jorge Portugal possui múltiplos talentos. Além de apresentador, ele é também professor, escritor e compositor. Na Bahia, já deu aula em vários cursinhos pré-vestibulares e nos principais colégios. Anos de magistério o fez perceber que as dificuldades encontradas pelos vestibulandos eram muitas:” Existem lugares em que os professores de matemática ou química nunca apareceram na sala de aula”, revela Jorge.
Diante disso, resolveu propor uma aula diferente, que não fosse dentro do ambiente escolar, mas sim dentro de um estúdio de televisão. Desse modo surgiu o programa Aprovado, transmitido pela TVE da Bahia e pela Rede Bahia. Há 10 anos no ar, o programa superou as expectativas: “No início esperava 170 mil alunos-telespectadores, hoje já são mais de 2 milhões.”, declara Jorge Portugal.
Devido ao tamanho sucesso de Aprovado, ele decidiu então repetir a dose. Só que, desta vez, em escala nacional. Tô Sabendo foi inspirado no Aprovado e também terá uma plateia formada por estudantes do 3º ano do ensino médio de escolas da rede pública. Interativo, o programa possui um site, http://www.tosabendomais.com.br/, onde o aluno pode se aprofundar nas questões abordadas no Tô Sabendo: “O programa na TV estimula o aluno a visitar a internet e aprender mais.”, afirma Portugal.
Para o apresentador, os meios de comunicação são um importante aliado na educação: ”Programas como Tô Sabendo ajudam e, muito, no processo educacional, pois levam os conteúdos didáticos a alunos de qualquer lugar do Brasil. É como uma sala de aula complementar”. E completa: “O programa vai de encontro a uma necessidade social.”
Fonte: TV Brasil

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O BBB e suas peculiaridades

Aqui em nosso espaço tenho a preocupação de emitir o meu parecer respeitando a pluralidade entre as pessoas, e isso não é nenhuma virtude e sim nosso dever enquanto cidadãos. Como educador tenho tido a preocupação que, sem dúvida é a de muitos brasileiros, é pensar sobre a influência que a mídia 'grande' vem tendo na atualidade. O que temos observado nos últimos tempos são figuras 'de destaque' dizendo besteiras enquanto são elas mesmas, ou seja, quando não estão na frente das câmaras ou pensam que os microfones estão desligados. Hoje quero convidá-los a pensar sobre um programa que recentemente voltou a ser exibido, o BBB da rede globo. Fico a pensar nos prejuizos que um programa como este pode causar ao povo brasileiro. São três aspectos que quero considerar: a busca desenfreada pelo sucesso, o apego às futilidades e por último o comportamento desvirtuado de seus participantes.


O ser humano tende a querer galgar um espaço que imagina lhe concederá felicidade e, esta certamente estar atrelada ao dinheiro, fama e isto significa sucesso. Quem não consegue ser uma pessoa que se enquadre nesses padrões, provavelmente estará fadada ao fracasso. Por que as pessoas enviam milhares e milhares de vídeos para a televisão citada? Querem ter sucesso e o mesmo só virá mediante a fama e consequentemente o dinheiro que por sua vez lhes trarão a tão desejada felicidade. Ledo engano!


Pensando sobre o segundo aspecto considero ser o mais comum às pessoas, o apego às futilidades. Estamos cercados de coisas insignificantes que fazem mal ao corpo e a alma. Somos consumistas compulsivos de "coisas" que nos adoecem e, parece que quanto mais as consumimos mais nos sentimos "presos" a elas. O que dizer da descartabilidade do outro? O outro se não me interessar devo descartá-lo. Que mal há nisso? É isso que "aprendemos" no BBB.


O que mais tem influenciado a juventude na atualidade é sem dúvida o poder que a mídia exerce. O que é natural em um grande centro também já o é nas cidades pequenas do interior brasileiro. E digo isso com conhecimento de causa. Fatos que nos chocam acontecem diariamente às nossas barbas. O comportamento de rapazes e moças bonitas são dignos de serem imitados, pois, afinal eles estão vivendo intesamente. O Brasil e até outros países os assistem. Se muitos não podem chegar aonde eles chegaram, ao menos posso imitá-los em minha própria realidade. É isso que acontece no recôndito de nossas pequenas e grandes cidades. A rede globo é um câncer para a nossa sociedade.


Por fim gostaria que o querido leitor refletisse sobre a fala do "sapientíssimo" Pedro Bial. Veja o vídeo abaixo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Será que foi maldição?

Dando uma passeada em meus favoritos encontrei uma reflexão do professor Jung Mo Sung, onde o mesmo faz uma belíssima leitura sobre a condição humana levando em consideração a sua finitude. Mas... o melhor mesmo é o querido leitor fazer sua própria reflexão do texto do professor. Ah! e o vídeo é para pensarmos sobre os interesses escusos que existem por trás de fenômenos como o que aconteceu no Haiti. Não se iludem muitos que estão se apresentando como mocinhos tem uma grande parcela de "culpa" com a miséria haitiana. Veja o texto a seguir:
"As imagens de destruição da capital de Haiti e dos corpos estendidos nas calçadas, cobertos com o que é possível, como uma forma de última homenagem ou de fazer sair da vista a miséria e a dor das mortes sem sentido, de vidas já muito sofridas ceifadas por um inesperado terremoto, tocam os lugares mais profundos do nosso ser.

Muito já se falou e ainda vai se falar sobre os aspectos geológicos, econômicos, sociais e políticos dessa grande tragédia que abateu sobre o país mais pobre das Américas. É claro que se a população não fosse tão pobre, se as infra-estruturas funcionassem e se tantas outras coisas fossem diferentes, o número dos mortos e feridos seria menor. Muitos vão exaltar a solidariedade que situações desse tipo fazem brotar, outros vão aproveitar o desastre para falar mal da globalização, do imperialismo ou da soberba humana que não respeita a natureza. Falar e falar muito, até como uma forma de catarse do mal estar que se estabelece em nós.

Desastres naturais de grandes proporções sempre nos incomodam profundamente porque questionam a nossa forma rotineira e ordenada de ver e viver a vida e porque nos colocam diante de perguntas difíceis que surgem com o mal e o sofrimento inesperados que atingem indistintamente "os bons e os maus". Essa indistinção corrói a nossa forma de ver o mundo, que é sempre uma forma de ordenar a partir das diferenças, e nos introduz em um mundo de desordem e caos. Em momentos assim, a tentação imediata é buscar um "culpado" para tentar explicar a situação e nos tirar do mal-estar.

Alguns responsabilizam a "misteriosa vontade de Deus", pois preferem crer que tudo o que acontece nas nossas vidas ocorrem segundo a vontade onipotente de Deus. Se o mal e o sofrimento vieram das mãos de Deus, devem ter alguma função salvífica. Mesmo que esse Deus pareça meio cruel, essa visão religiosa tem o papel de tentar restabelecer uma ordem estável e segura para o seu mundo e vida, ameaçados pela desordem e caos. Assim, o sofrimento sem sentido poderia encontrar algum sentido.

Outros preferem culpar a sociedade moderna e o capitalismo selvagem que explora os pobres e destrói a natureza. Mesmo que a origem do desastre tenha sido uma falha geológica na crosta terrestre, a culpabilização da sociedade moderna e do capitalismo globalizado tem seus atrativos porque exerce a mesma função de oferecer um "culpado" no qual podemos canalizar as nossas frustrações e raiva. Além disso, é fundamental para manter a idéia ou o projeto do mundo moderno de que é possível criar uma "nova sociedade" isenta desses desastres e crises, assim como de todos os tipos de males. Isto é, o sonho da criação de um mundo totalmente ordenado, sem sofrimentos imprevisíveis. E a realização plena desse sonho só será possível se todos os males e sofrimentos tiverem origem e causa nas ações humanas e na própria sociedade, e se formos capazes de criar um ser humano e uma sociedade sem esses problemas.

No fundo, essa postura é uma forma de manter a ilusão de que nós somos, podemos ou devemos ser messias de nós mesmos e salvar a humanidade da sua condição de precariedade, contradições, com seus potenciais e limites.

Contudo, o terremoto que atingiu Haiti, assim como o tsuname que atingiu a Indonésia e arredores, teve origem em fenômeno geológico que independe da vontade ou da ação humana ou da sociedade. É claro que há aspectos humanos e sociais que agravam ou minoram os sofrimentos humanos, mas pouco podemos fazer para evitar que ocorram, por ex., terremotos.

É claro que não quero, com essas reflexões, propor uma postura de passividade ou resignação frente à morte e sofrimento que assolam o povo de Haiti e ao grande desafio de reconstruir aquele país e de ajudar o seu povo a superar a situação de miséria e pobreza que deve agravar ainda mais nos próximos meses.

O que eu quero é simplesmente propor que antes de nos deixarmos levar pela tentação de "falar e falar" e de procurar "respostas fáceis", mergulhemos no silêncio, nas regiões mais profundas do nosso ser para meditarmos sobre a fragilidade e imprevisibilidade que marcam as nossas vidas. Como diz o Evangelho, precisamos ficar atentos e "vigiar". Não porque devamos viver com medo, mas porque, reconciliando com a nossa condição humana, reconhecemos que não há religião, razão, tecnologia ou política que possam impor uma "ordem de harmonia perfeita" sobre a vida e a natureza; não há como prever e controlar todos os aspectos da vida (seja na relação dos seres humanos com a natureza, seja com outros seres humanos e com sociedades).

O que podemos e somos chamados é viver vigilantes a vida no espírito de amor e solidariedade, sentindo em nós a dor e o sofrimento do nosso próximo (mesmo que geograficamente longe), fazendo o melhor possível para construirmos relações humanas e sociais que possibilitem uma vida digna e alegre para as pessoas. Mesmo que não encontremos sentido (se é que há) para tanto sofrimento inocente".

(Professor de Pós-Grad em Ciências da Religião e autor, entre outros, de "Cristianismo de Libertação").
Fonte: Adital

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pobres haitianos

Sente frio, fome, dor, tristeza... Olha para todos os lados na expectativa de reencontrar sua mãe. Em meio ao caos um pobre garoto, já faz algumas horas que perdera de vista o seu bem maior, sua mãe. Ele tem apenas 8 aninhos e não consegue entender o que estava acontecendo, olha para aquelas pessoas chorando, gritando, correndo e enxerga escombros em todas as direções. Anoitece e o frio e a fome aumentam; Domingos é um garoto desnutrido e em sua curta vida estava acostumado a passar fome, mas nunca ficou longe de sua querida mãe. Sentado embaixo de um resto de cobertura, não sabia do perigo que estava exposto. Despido, vestia-se apenas uma pequena bermuda, deixando à vista seu corpinho magro e indefeso. Desesperado, a infeliz criança começa a gritar por sua mãe. As pessoas que passam por ele parecem não vê-lo, pois, também ficam atônitas com o desastre que arruinou aquela pobre capital do Haiti. Quando uma adolescente vem ao seu encontro, ele assusta-se e chora desesperado, ela o acalma e o retira daquela cobertura o colocando em outro local, aparentemente mais seguro. Ele sem entender muito bem a atitude da garota, aceita o novo espaço para onde fora levado. Depois de muito esperar por sua querida mãe ele adormece ali mesmo, em meio a gritos, escombros e tiros.
Homens sanguinários, amantes do luxo e capitalistas vorazes. Vós sois responsáveis pela miséria do povo haitiano. A vossa ganância levou os à miséria absoluta. Essas nações pagarão caro por tudo que fizeram aos países pobres do mundo.
Foi uma catástrofe que acometeu ao povo do Haiti, mas o seu estado de extrema pobreza agrava e muito a situação de nossos irmãos. É triste quando vemos países ricos enviando uma quantidade ínfima de dólares para o Haiti. São mesquinhos... ordinários... não conhecem o que é amor!
Parabéns ao nosso presidente que mais uma vez dá exemplo, demonstrando compaixão aos nossos irmãos.
À senhora Zilda Arns a nossa homenagem pela vida dedicada às crianças e aos pobres.
Obs: a história acima é fictícia, no entanto, de longe retrata a cruel realidade.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

E NOSSAS CRIANÇAS?

Ele tinha o hábito de ir ao mercado e comprar pão todos os dias ao cair da tarde. Era uma criança esperta e muito querida por todos que a conheciam. Felipe, tinha apenas seis anos e gostava muito de ir à padaria, que não ficava muito longe de sua casa. Seus pais ensinavam ao garoto, apesar de tenra idade, bons modos, pois zelavam pela ética e, não queria que o filho se comportasse de maneira que os envergonhassem.

Ele vai cuidadosamente pela calçada, como o pai o recomendara, era um garoto de grande vivacidade. Depois de andar por alguns minutos chega ao seu destino, se aproxima do balcão e espera a vez de ser atendido. Olhava com curiosidade o rapaz atender a uma senhora que estava ao seu lado. Logo depois o moço o chama pelo nome e pergunta a quantidade de pão que ele queria. Ele olha para o moço e diz com ingenuidade:

_ Moço! O tanto que você me der eu aceito.
_ Sim... Felipe. Vou mandar o tanto que você leva todo dia. Tudo bem?
_ Tá sim. Obrigado – fala o garoto com um lindo sorriso, e depois acrescenta – Vou pagar a moça, viu?

Felipe se aproxima do caixa e olha para cima na tentativa de ver a moça. Com muito esforço consegui colocar o dinheiro para a jovem pegar. A moça ri para ele e pede para aguardar que logo lhe entregaria o troco. Ele esperou um pouco enquanto a jovem pega o dinheiro e dobra direitinho e coloca naquela linda mãozinha. Ele sai feliz da vida por executar a sua tarefa de todos os dias.

O pai de Felipe o aguardava na calçada de casa. De lá ele acompanhava os passos do filho. Por isso, não tinha receio de fazer esse exercício diário com o garoto. Felipe retorna sorridente e entrega a sacola de pão e o dinheiro. Eles entram e Felipe diz para o pai.

_ Meu pai... Por que entreguei para a moça da padaria um dinheiro e ela me devolveu um monte? – Felipe estava começando a entender o que é dinheiro; era um garoto atento a tudo que ocorre ao seu redor.
_ Não filho. É assim mesmo, é por causa do valor do dinheiro. Você é muito pequeno para entender esse assunto ainda. Diz o pai tirando do bolso o troco que o filho lhe entregara.

Para sua surpresa ao conferir o dinheiro pode verificar que o troco que a moça dera estava errado, tinha muito mais do que deveria. Ele olha para o filho e diz:

_ Meu filho, a moça da padaria lhe deu dinheiro mais do que deveria. O troco tá errado, temos que devolver! – o pai de Felipe era um homem que não tolerava nenhum tipo de desonestidade.

_ Pai... Por que não podemos ficar com o dinheiro? Assim podemos comprar um monte de coisas. – diz o garotinho na mais pura inocência.

O pai, pega o filho no colo e o beija. Em seguida fala de maneira amorosa.

_ Meu filho querido... Vou explicar para você o porquê de não podermos ficar com o dinheiro. O dinheiro que você levou para a padaria para comprar os pães é dinheiro que recebi por ter trabalhado. Pois é filho... O seu pai não sai de casa todos os dias para trabalhar? Então... Faço isso para trazer dinheiro para comprar as coisas para você, eu e sua mãe. Entendeu? – enquanto o pai falava, ele o observava atentamente.
_ Sim papai... Eu entendi. Mas ontem eu vi na televisão um homem colocando dinheiro na meia. E o moço da televisão falou que aquele dinheiro não era dele! Então também podemos fazer o mesmo.
(É um mine conto para refletirmos um pouco).


Eu não sei se Arruda e sua corriola têm filhos pequenos. Certamente um deles haverá de os ter. Fico a pensar o que será dessas crianças quando retornarem para a escola. Vão ser humilhadas e certamente jamais esquecerão tamanha vergonha. Tomara que a população de Brasília se posicione e elimine esses elementos da vida pública de uma vez por todas.



sábado, 9 de janeiro de 2010

TOM JOBIM E SUA ÉPOCA

Quando cheguei hoje à radio que eu e o amigo Ivanildo Amorim apresentamos o programa Cultura em Debate, fui surpreendido pelo colega com o tema que hoje íamos debater. Falar sobre nada mais nada menos do que Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Relembramos os tempos áureos da música brasileira e seus expoentes magníficos. E gostaria de compartilhar com os amigos a satisfação que tivemos em levar ao nosso público músicas que encantou e continua a encantar muita gente. E lembramos aos amigos ouvintes que hoje é muito difícil e, até certo ponto um ato de coragem tocar músicas de Tom, Vinicius, João Gilberto, Toquinho, Chico Buarque e outros. São músicas que nos levam a refletir e pensar... Apenas para recordar, letras de músicas desses autores, durante a ditadura civil militar, muitas delas, foram censuradas. Pois, elas combatiam o regime que nos deixou uma grande mancha. Ainda em nosso programa, lembramos que o escritor e deputado federal Emiliano José apresentou à Comissão de Educação da Câmara Federal parecer favorável ao PL 6.417/09, de autoria do Poder Executivo, que promove post mortem o poeta e diplomata Vinicius de Moraes ao cargo de Ministro de Primeira Classe. A proposta resgata uma dívida histórica ao reconhecer a importância de Vinicius de Moraes, arbitrariamente expulso do Itamaraty durante a ditadura militar. (Essa informação você encontra no blog: Bahia de Fato). Pois é... nos esforcemos para que a geração de hoje ainda possa saber que um dia uma música genuinamente brasileira foi a 5ª mais tocada em todo o mundo: Garota de Ipanema. Ah! Abaixo regozije-se com o vídeo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

XANGAI

Depois de postarmos sobre um assunto que tem causado o repúdio de muitos brasileiros, resolvi falar de coisa boa e, com toda a modéstia a boa terra tem. Talvez o querido leitor esteja se lembrando de nossa grande vergonha, que a terra já se encarregou de consumir. Vixe! comecei a falar de coisa ruim. Voltemos ao assunto principal desse escrito. Para aqueles que não sabem Xangai o nosso grande cantador nasceu no extremo sul da Bahia, mas é em Vitória da Conquista que reside há muito tempo. Sim! a terra de Glauber Rocha e do maravilhoso Elomar Figueira.



"Eugênio Avelino, popularmente conhecido como Xangai, nasceu em Itapebi em 20 de março de 1948 é um cantor, compositor e violeiro brasileiro. Nasceu na zona rural do município de Itapebi, às margens do Rio Jequitinhonha, no extremo sul da Bahia. Aprendeu a cantar com vaqueiros e cantadores da região, influência que permeou sempre a sua obra. Filho e neto de sanfoneiros, teve seu primeiro disco, "Acontecivento", lançado em 1976 pela gravadora CBS, mas depois seguiu uma carreira independente, desvinculada das grandes gravadoras. Cantador, trovador, violeiro, gravou, além dos discos individuais, um em parceria com Renato Teixeira e dois volumes do disco "Cantoria", resultado de um show ao lado de Elomar, Vital Farias e Geraldo Azevedo realizado em 1984. Com sua voz penetrante e muito característica, interpreta composições próprias e adaptações do folclore nordestino, em ritmo de Xote, Cocos e Toadas". No link abaixo você vai encontrar esta biografia de Xangai e muito mais sobre nosso cantador. E ainda postei um vídeo para o querido leitor desfrutar da música da terra.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Uma vergonha!

Não sei exatamente o motivo, mas em um mundo tão desumano como o nosso, algumas coisas ainda nos surpreendem. Sabemos que o coração do homem é enganoso, não é verdade? Inclusive o sábio Salomão afirmara com muita propriedade que maldito é o homem que confia no homem. Entendo que quando ele disse isso também fazia referência a ele também, pois, era homem sujeito às mesmas fraquezas comuns a todos os mortais. Bom, mas o que me leva a lembrar disso agora? A arrogância e falsa moral que veio a tona nesse final de ano. Um senhor que se intitula como o representante da ética e moral do tele jornalismo brasileiro e combatente incorruptível de práticas de políticos sem escrúpulos. Este senhor que tem uma história de vida sob as asas da ditadura civil militar no Brasil. Este jornalista foi surpreendido quando o áudio do seu programa estava aberto e captou a sua fala carregada de preconceito. "nesta sexta-feira (1), após a participação de dois garis desejando votos de feliz ano novo, é possível ouvir as frases de Boris Casoy dizendo: "que merda... dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras" e "dois lixeiros, o mais baixo da escala do trabalho". Blog: os amigos do presidente Lula. Lamentamos profundamente que somos obrigados a tolerar em nossas casas pessoas como Boris Casoy que ficou conhecido por usar o bordão: Isso é uma vergonha. Vergonha é tê-lo na televisão se auto denominando representante do povo brasileiro ante as roubalheiras de políticos. Voltando ao nosso pensamento inicial, é natural que possamos errar, todavia, o respeito ao semelhante é fundamental para construir uma sociedade mais justa e igualitária. Os garis são tão importantes quanto quaisquer outros profissionais. Repudio, em meu humilde espaço, atitudes parecidas como a do senhor Boris Casoy.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

FALA MESTRE...

É sempre bom pensar tendo como objeto de reflexão obras de sábios que nos conduzem ao crescimento tanto intelectual quanto pessoal, se é que podemos dissociar as duas coisas. Refiro-me ao pensador Rubem Alves. A sua capacidade de nos "prender" à sua leitura é algo fascinante; coloquei prender entre aspas para justificar que o prender que me refiro é algo demasiadamente prazeroso. Sem mais delongas convido o caro leitor para refletir, caso já tenha lido, convido-o a reler, pois, é sempre bom repensar sobre o tema que o mestre aborda de maneira deliciosa.


Quero-quero


“O senhor vai me entender. Tenho filhos e estou a procura de uma escola que seja boa para eles...”Com essas palavras a jovem senhora se explicou ao senhor à sua frente, assentado numa poltrona, atrás de uma escrivaninha. Era o diretor da escola. Ele sorriu, levantou-se e fez um gesto com a mão... E foi assim que se iniciou a visita. Ele, diretor antigo, caminhava à frente, explicando as coisas da escola, da educação, da vida. Ele sabia sobre o que estava falando. Ela, jovem, mãe e dona de casa, ia seguindo, observando, ouvindo. Ele mostrava com orgulho as salas de aula, os laboratórios, as quadras esportivas, a biblioteca... Terminada a visita, de volta ao gabinete do diretor, a conversa aproximou-se do desfecho. O diretor estava confiante. Era difícil para uma mãe, uma simples dona de casa, resistir à autoridade e clareza dos seus argumentos. Foi então que a mãe tomou a iniciativa:“Como eu lhe disse, estou à procura de uma escola que seja boa para os meus filhos. E há algumas coisas a mais que gostaria de saber. Eu queria saber se essa escola é rigorosa, se ela aperta os seus alunos...” O diretor a tranqüilizou. “Quanto a isso a senhora pode estar descansada. Orientamos nossos professores no sentido de apertar ao máximo os alunos. A senhora compreende: vivemos num mundo competitivo, o vestibular está à espera e somente os mais aptos sobreviverão...” A mãe continuou: “Há uma outra coisa que me preocupa. Os alunos frequentam a escola por um período apenas, ou manhã, ou tarde. Sobra um tempo vazio... E eu desejo saber se a escola planeja esse tempo também, se é prática da escola dar tarefas para serem realizadas em casa, tarefas que encham esse tempo...” “Mas é claro. O nosso planejamento pedagógico se orienta no sentido de fazer com que os alunos estejam o tempo todo ocupados com as coisas da escola. No mundo em que vivemos não podemos nos dar ao luxo de tempo ocioso... O vestibular é cruel!” E, com um sorriso, acrescentou: “Eu sempre digo aos alunos, brincando: ‘Enquanto você está vadiando há um japonês estudando...’” A jovem mãe se levantou e, sorrindo, se explicou: “O senhor sabe... Como lhe disse, estou à procura de uma escola que seja boa para os meus filhos. A coisa que mais desejo para meus filhos é que eles sejam felizes. Portanto, uma escola boa para os meus filhos terá de ser uma escola em que eles se sintam felizes. Terá de ser uma escola em que eles aprenderão que aprender dá prazer. Uma escola em que os livros sejam um motivo de felicidade e não uma obrigação. Mas o senhor me disse que seus professores são orientados no sentido de ‘apertar’ as crianças. Agora, tomando por mim, eu não me sentiria feliz se vivesse sendo ‘apertada’. Aperto dá stress... Além do que, eu acho que é importante que as crianças tenham tempo livre para fazer o que quiserem: brincar, construir coisas, excursionar, fazer as infinitas coisas que não estão previstas nos programas escolares... Eu tenho medo de que, se meus filhos viessem a frequentar a sua escola, eles iriam associar aprendizagem com sofrimento e acabariam por ter raiva de aprender...” E ainda sorrindo, despediu-se do diretor e saiu rumo a uma outra escola...Literatura se faz com uma mistura de realidade e fantasia. Isso que relatei é literatura: não foi exatamente assim que aconteceu. Mas aconteceu! Essa mãe peregrinou de escola em escola à procura da escola na qual os seus filhos se sentiriam felizes. Depois de muito procurar, achou. Quem quiser saber os detalhes é fácil. É só procurar a Eliana França Leme.Quem é ela? Eu acho que as vocações não podem ser aprendidas. Só podem ser despertadas. Ninguém aprende a ser poeta. Ninguém aprende a ser compositor. Ninguém aprende a ser psicanalista. As vocações nascem com a pessoa, como sementes. Claro. Há os cursos, os saberes. Mas os cursos e saberes são apenas a terra onde a dita semente pode germinar. Penso o mesmo dos educadores. Não há escolas onde se produzam educadores. Os educadores nascem educadores. É o caso da Eliana.O que faz um educador é o amor pelas crianças; e o amor pelas crianças que teimam em viver mesmo naqueles que já cresceram. O amor é esperto: ele sempre acha um jeito de chegar até o lugar onde mora o objeto amado. Pois não foi isso que fez a Rapunzel? Ela, presa na torre. O seu amor, lá em baixo, longe... Aí o seu desejo do abraço fez seus cabelos crescerem, crescerem muito, até chegar ao chão. E os seus cabelos se transformaram, então, numa escada pela qual o seu Príncipe subiu até ela. Um psicanalista imaginoso diria logo: cabelos são fios que saem da cabeça. Ora, os fios que nascem da cabeça são os pensamentos. O amor faz nascer os pensamentos que levam até o objeto amado. É assim que acontece com os verdadeiros educadores: eles descobrem um jeito de chegar até as crianças.Pois foi o que a Eliana fez. Seus filhos cresceram e bateram asas. Mas ela continuou a amar as crianças. E da combinação de amor pelas crianças e inteligência cresceram, na cabeça dela, os fios que construíram o projeto educacional: “Quero-quero”. “Quero-quero” é o nome de um pássaro de pernas compridas (Vanellus chilensis lampronotus êta nome difícil!). Pode ser encontrado andando pelos campos. O nome está dizendo: quero, quero. Querer é desejar. Todos somos movidos pelo desejo. As crianças aprendem movidas pelo desejo. Essa é a intuição fundamental da Eliana: ela percebeu que a alma das crianças é habitada por sonhos, o maior deles sendo o desejo de ser amado e de construir o seu próprio futuro. Pedagogia do Desejo: é desse “quero-quero” que todos repetimos que brota o desejo de conhecer.E foi assim que ela e um grupo de amigos e voluntários começaram a construir um espaço para as crianças que vivem na pobreza e nas margens da sociedade. Ela descreve o seu projeto com a palavra “maternagem”. Quem usa a mesma palavra é o mestre Roland Barthes, dirigindo-se aos eruditos intelectuais franceses que assistiram, perplexos, à sua aula inaugural como professor do Collège de France. Ele sabia que mesmo os marmanjos que se assentariam nas suas classes não passavam de crianças. E ele descreve o seu projeto de maternagem como um espaço em que “as idas e vindas de uma criança que brinca em torno da mãe, dela se afasta e depois volta, para trazer-lhe uma pedrinha, um fiozinho de lã, desenhando assim ao redor de um centro calmo toda uma área de jogo, no interior da qual a pedrinha ou a lã importam finalmente menos do que o dom cheio de zelo que deles se faz.”É a criança que dá o programa. É ela que pega a pedrinha e o fiozinho de lã. A pedrinha e o fiozinho de lã são expressões do seu “quero-quero”. O centro calmo, a mãe, sorri e brinca. O seu sorriso diz à criança que ela pode ir, vir, explorar, se interessar pelo que quiser. Não se trata de um projeto para transformar as crianças em profissionais. As crianças vão para lá no período em que estão fora da escola. Para quê? Para serem elas mesmas. Para saber que elas não são objetos passivos que devem aprender aquilo que os adultos, mais fortes, lhes impõem: aquela pedagogia que a mãe chamada Paulo Freire chamou de “pedagogia bancária”: as crianças como cofres onde os adultos depositam seus capitais de saber, a fim de poder sacar, no futuro...A ciência, frequentemente, produz conclusões equivocadas. Piaget, analisando o desenvolvimento do aparato cognitivo das crianças, percebeu que ele passa por fases. Da mesma forma como uma planta passa por fases. Não se pode esperar que uma planta dê frutos quando ela ainda não está madura para isso. Essa constatação, que é científica, produziu uma conclusão pedagógica estranha: se as capacidades de aprender das crianças passam por fases, então as crianças devem ser agrupadas segundo a fase em que se encontram. Assim, o ambiente de aprendizagem de uma criança de 5 anos deve ser distinto e separado do ambiente de aprendizagem de uma criança de 9. As crianças aprendem, separadas em pequenos currais... Mas quando observamos um jardim Piaget, ao pensar sobre a aprendizagem, levou muito a sério o ambiente vital vemos que não é assim que a vida acontece: plantas, nas mais diversas fases de crescimento, convivem no mesmo espaço: árvores imensas ao lado de sementes recém brotadas, arbustos florescendo ao lado de plantas que perderam as folhas. É assim que é a vida. É nessa diversidade que se encontra a beleza do jardim. Jardim não é canteiro de mudas... Parte da aprendizagem, talvez a parte mais rica da experiência humana, é a convivência na diversidade: crianças, nas mais diversas fases de desenvolvimento cognitivo, habitando um mesmo espaço, aprendendo num mesmo espaço, ajudando-se umas às outras. Jardim... Inviável? É a falta de compreensão dessa dimensão humana que cria os mecanismos de segregação: as escolas se transformam em canteiros de mudas, todas iguais, separados por fase de crescimento. E se, no meio das mudas iguais aparece uma planta diferente, o jardineiro a arranca e a joga no lixo... Não seria bonito e verdadeiro se as escolas, ao invés de se parecerem com linhas de montagem, se parecessem com jardins? Se você quiser saber mais sobre o projeto “Quero-quero”, faça uma visita. Ele funciona no “Parque Ecológico”, numa das casas antigas, ao lado do Lago das Ninféias. Ou você pode falar diretamente com a Eliana: telefone 32552581, à tarde.(Correio Popular, 08/09/2002)

domingo, 27 de dezembro de 2009

REFLETINDO UM POUCO...

Alguns pensadores preferem se debruçar sobre coisas abstratas a pensar num mundo concreto e com inúmeros objetos para entender e/ou refletir. Pelo contrário, preferem viajar no mundo das ideias, não que eu seja contra o pensamento abstrato, sou apaixonado por mentes brilhantes. Mas o que quero pensar hoje é sobre a falta de ação por parte da maioria das pessoas, dentre elas, os intelectuais. Vamos pensar sobre nossas atitudes ante a um mundo selvagem, onde os interesses pessoais estão acima dos da coletividade. Não vivemos em comunidade há muito tempo, o "progresso" nos fez menos solidários e mais egoístas. É final de ano e muitas pessoas são tocadas por um sentimento de "culpa" e começam a ser humanas outra vez, pois antes de serem consumidas pelo dinheiro, poder, fama, etc. eram pessoas comuns; agora desconhecem a pobreza, fome, miséria... O que será da humanidade? Até quando nos comportaremos como se tudo fosse normal ou como alguns preferem, natural? Quando que dispiremos de toda a arrogância e presunção e veremos que todos tem direito a direitos iguais. A vida de luxo de uma minoria se contrasta com a subvida de milhões de miseráveis que são ignorados com uma frieza surpreendente por muitos, talvez, estejamos entre esses que não se comovem mais com o sofrimento alheio. Pois, não é nossa culpa. Os únicos culpados são as autoridades que nada fazem para amenizar o sofrimento do povo. Vivemos num mundo cão onde os meus intereses devem ser atendidos, quanto aos outros... Bom, eles que se virem! Não é assim? Que empresários, banqueiros, fazendeiros e pessoas da mesma "linhagem" possam lembrar que a propriedade privada hoje, antes não o era. Para melhor reflexão sobre a origem da propriedade privada sugiro: "A origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens", Rousseau. Quanto aos intelectuais, que tal se se tirassem a bunda da cadeira e ajudassem a amenizar o sofrimento de muitos de nossos irmãos. Sugiro a seguir o exemplo do inesquecível Florestan Fernandes. Que Deus possa continuar se compadecendo de nós.
Abaixo postei um vídeo para melhor refletirmos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

FLOR DA MANHÃ

O que seria de nós sem a poesia? Sinceramente não sei, na verdade não sei fazer poesias, mas as vezes penso algumas coisas que talvez não seja uma poesia. Não tenho pretenção de ser poeta, no entanto, arrisco-me a permitir que algumas palavras tomem o lugar dos pensamentos. Submeto meus pensamentos a vossos pensamentos.




Parece uma linda gazela,
Com leveza e graça infantil,
Com raios solares matinais do lindo sertão,
Tão linda e meiga és tu, menina!


O criador a fez como uma linda flor,
Perfeita e sensível aos olhos do admirador,
Que encanta o mais insensível e inútil ser,
Que perambula nos campos a sofrer.


Quando os rapazes que passam pela estrada,
Ao ver num encanto juvenil e faceiro,
Olhando com desprezo àqueles que desejam,
Apenas por instantes contemplar - ti.


Oh! Linda menina cruel e desalmada,
Por que feriste o coração de um pobre homem?
Tu és culpada, linda flor, de induzir-me a amá-la!
Eu queria apenas admirá-la.


Não precisa, ó linda flor,
Viver ao meu lado,
Permita-me apenas,
Admirá-la.


Não desdenhas de mim, ó menina!
Não perturbes a minha paz.
Sei que não sou digno de ti,
Mas... Deixe-me apenas amá-la.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

REFLEXÃO

Estamos chegando ao final de mais um ano e as pessoas começam a ser contagiadas pelo "espírito natalino". Surgem interesses outros que procuram superar os almejados nos anos anteriores, eis alguns: o comércio que almeja superar as vendas do ano anterior, famílias que, por sua vez, pretendem atingir novas conquistas, como: consumir mais, muito mais, afinal os móveis já estão velhos, a casa precisa de um reparo, as roupas já caíram de moda, a viajem de férias precisa se repetir, pois, os amigos, vizinhos e outros também vão descansar. O sentimento de solidariedade toma conta de tal maneira que fica patente o quanto a humanidade é virtuosa, no natal as pessoas amam, amam... Elas encarnam o mais nobre sentimento, 'o amor'. As pessoas, ou melhor, os miseráveis assistem a tudo isso sonhando em um dia também poderem comprar, ter uma casa decente, viajar... Ter aquelas roupas 'lindas' da televisão. O mais interessante desse período do ano é que muitas pessoas ficam bondosas, sensíveis e alegres. Outras ficam frustradas e muito tristes. As primeiras por terem conforto e uma família; as últimas por viverem no submundo e pensam que existem, todavia, a realidade a faz entender que não passa de mera ilusão e objeto de solidariedade dos 'humanos' de final de ano, pois o que seria dessas almas se não existissem os pobres para ajudarem no dia do nascimento de Jesus. Hipócritas! Talvez... Quem sabe todos nós estajamos entre esses. Por último, convido você para ver o vídeo de Rolando Boldrin. Tenho certeza que vai ser objeto de reflexão.

domingo, 13 de dezembro de 2009

HOJE EU CHOREI


Sou um admirador das almas sensíveis e tenho a honra de ser amigo de uma grande poeta do Estado do Rio de Janeiro. A sua sensibilidade me cativa muitíssimo. Vejam abaixo uma de suas poesias:


Hoje eu chorei,

E nem sei o real motivo para essas lágrimas.

Vá saber, nessa mente vazia, a dor que passa

Quando choro sem mesmo saber onde é que me dói.



Hoje eu chorei,

E notei que o alívio não veio, nem mesmo depois

Que juntei pela cama os vestígios do amor de nós dois.

E sem mais eu fiquei lamentando essa dor que corrói.



Hoje eu chorei,

E pensei que seria melhor não contar pra ninguém

Que essa febre em meu corpo já faz tempo e não tem

Um remédio que eu possa tomar e curar a ferida.



Hoje eu chorei,

E cansei de secar uma lágrima de presença eterna,

E deixei de sonhar a ilusão de sorrir mais sincera,

Como era quando encontrava em você a saída...



Vanessa Rodrigues

domingo, 6 de dezembro de 2009

PARA QUE SERVE A ARTE NA EDUCAÇÃO?

Este é o titulo de artigo da professora da USP, Ana Mae Barbosa que com propriedade escreve sobre um tema de grande relevância, no entanto, pouco discutido no meio educacional, talvez seja devido a falta de interesse dos próprios educadores em debater sobre um assunto que os mesmos conheçam pouco ou ignoram a sua relevância. Inicialmente Barbosa faz um questionamento provocador. “Em um país onde a arte é pouco divulgada (com exceção da música popular e do cinema) de que forma um cidadão pode desfrutar de seu direito de acesso à cultura?”
Ao longo de seu artigo a professora responde este e outros questionamentos. Ela ainda destaca, dentre outras coisas, o elitismo da arte no Brasil que tem explicação na História, onde quem designa quem é artista em nosso país é o homem branco descendente de europeu.
A mulher, não tem espaço devido a hegemonia do homem. Assim sendo é mais um motivo de exclusão a qual o povo comum, ou seja, a massa é tolhida impiedosamente de apreciar a Arte no Brasil.
“Um país só pode ser considerado culturalmente desenvolvido se tiver uma produção de alta qualidade e uma compreensão desta produção também de alta qualidade”. Este é o pensamento da professora Barbosa que arremata dizendo: “No Brasil precisamos democratizar a compreensão da Arte e da Cultura”. Talvez este seja um dos principais desafios que o Brasil enfrenta, no campo da Arte, mas nem tudo está perdido, pois recentemente o governo da Bahia trouxe para Salvador obras de Auguste Rodin, que estão a disposição de todos os brasileiros no Palacete das Artes. Observamos na prática com essa atitude o que deseja a professora Barbosa e todos os amantes da Arte: a democratização de um patrimônio que é de todos nós.
É sem dúvida um grande desafio inserir a Arte no meio educacional, tendo em vista a pouca preparação dos professores e, principalmente o descaso de muitos gestores municipais que desconhecem a importância da Arte; talvez isso seja devido a ignorância da maior parte desses que dirigem as cidades brasileiras.
Concluindo, quero considerar mais um pensamento da professora Ana Mae Barbosa “a Arte torna a pessoa mais inteligente”. Fica aqui nosso desejo de que um dia todos tenham acesso a Arte desde a mais tenra idade.
Para nosso regozijo, desfrutemos de algumas obras de Rodin.

sábado, 5 de dezembro de 2009

MOZART

Em um dia como hoje, 5 de Dezembro, deixava esse mundo um dos músicos clássicos mais talentosos de todos os tempos. E nosso espaço não poderia deixar em branco a lembrança do gênio Wolfgang Amadeus Mozart. Conheça um pouco mais sobre Mozart clicando no link: http://www.starnews2001.com.br/mozart.html
No vídeo usufrua da música maravilhosa de nosso músico.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

III CONFERÊNCIA DE CULTURA

Conforme divulgado aqui, realizamos em nossa cidade a I Conferência de Cultura, que a prefeitura local denominou de I, ignorando uma que houve na gestão anterior. Houve boa participação de pessoas interessadas no desenvolvimento da cultura em nosso munícipio. Delegados foram eleitos para representar o munícipio na III Conferência Estadual que aconteceria no final do mês de Novembro, como de fato aconteceu. Mas infelizmente o poder público municipal não enviou os delegados eleitos para representar o nosso município e defender nossas propostas, o que lamentamos profundamente; isso demonstra o descaso com a cultura em nossa cidade. Gostaria de saber o que se passa na cabeça de governantes que não sabem ou não se importam com a cultura de um povo. Fica aqui o nosso repúdio ao descaso do poder público municipal.

domingo, 29 de novembro de 2009

RUBEM ALVES

Transcrevo abaixo, para nosso deleite, texto do professor e escritor Rubem Alves: A arte de ouvir. Penso que as coisas boas devem ser compartilhadas, é com esse objetivo que convido você para refletir sobre o escrito do professor Alves. Boa leitura!

"De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era o silêncio.” É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: “Cessa o teu canto! Cessa, que, enquanto o ouvi, ouvia uma outra voz como que vindo nos interstícios do brando encanto com que o teu canto vinha até nós. Ouvi-te e ouvia-a no mesmo tempo e diferentes, juntas a cantar. E a melodia que não havia se agora a lembro, faz-me chorar...” A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.
Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por não haver o que dizer tratamos logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio, é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.
Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é “Aconteceu em Tóquio”. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no Vazio da jarra que se colocam flores.
O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita...” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, Da. Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais.
Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete. “Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu...’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu...’Essa frase ‘é exatamente como eu...’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...”
Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno ( pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutatória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.
Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana “Cem Mondialità” a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.
Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro. Amamos não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar..."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

PROJETO NO CEP

Os alunos da 2ª série do ensino médio do Centro Educacional de Planalto, realizou nessa quinta-feira o projeto que teve como tema: E sua cidade como vai? abordando os problemas corriqueiros de uma cidade pequena, que pouco difere das grandes cidades. O empenho dos alunos na realização do projeto foi de suma importância para uma reflexão acerca dos problemas que a cidade de Planalto enfrenta. Um dos assuntos abordados pelos alunos foi a questão ambiental, que se discute muito, mas pouco se faz para minimizar os danos que nós causamos ao meio ambiente. Foi sem dúvida um momento oportuno para repensarmos a nossa postura ante a degradação do meio ambiente. Veja um vídeo que nos faz refletir sobre nossa atuação enquanto moradores do planeta Terra.